Nova configuração da paisagem

Por Marcelo Albuquerque

 

Catálogo da exposição Nova Configuração da Paisagem, Vallourec & Mannesmann Tubes, 2013.

Paisagem imaginária com montanhas cortadas. Óleo sobre tela, 130 x 130 cm. 2012.

O recente conjunto de obras dialoga conscientemente com a pintura paisagística brasileira, em especial de Minas Gerais. De certa forma, dialoga com a pintura romântica de cenas interioranas e bucólicas, com as paisagens iluminadas de influência impressionista, com o lirismo modernista de Guignard e sua escola, com o geometrismo neoconcreto, com o pós-modernismo da arquitetura, além de um olhar atento às manifestações contemporâneas, desde a land art às intervenções na paisagem. Apesar das referências regionais, as obras apresentam características universais.

 

A paisagem natural, a arquitetura, os cortes das minerações, as estradas, fazendas, loteamentos e a expansão urbana fazem parte do imaginário desta série, e tornam as paisagens especiais e peculiares, nunca submetidas a um olhar realista, mas completamente imaginárias e poéticas.

 

Diversas relações são criadas entre a arquitetura, os edifícios como personagens urbanos, as construções e o natural preservado (já que os espaços preservados, atualmente, provêm de uma decisão humana), o construído sobre o já ocupado, o orgânico e o geométrico, as marcas de novas ocupações, exploração e uso da terra. São obras simbólicas e líricas; estas relações podem ser encontradas nas séries Paisagem e Arquitetura, Montanhas e Paisagens Imaginárias com Montanhas Cortadas. Agrega-se também um cuidadoso trabalho técnico e cromático.

 

As montanhas cortadas surgem em tom de ironia mais do que denúncia da exploração dos recursos naturais; e o humor das pinturas é latente. Os morros surgem como ícone, um símbolo de força e identidade submetido às transformações promovidas pelas novas gerações em seu meio. Trata-se de uma investigação do surgimento de formas e do potencial de transformação da paisagem, da construção e configuração de uma nova paisagem.

 

Sempre me perguntam de onde obtenho minhas referências para a pintura. Uma delas é seguir um roteiro especial, visitando e registrando os pontos de interesse. A série Paleopaisagens se baseia inicialmente em um roteiro de estradas, entre Lagoa Santa, Matozinhos, Pedro Leopoldo e Serra do Cipó, uma das mais importantes áreas arqueológicas da América do Sul. Nessa região situa-se o circuito das grutas: Maquiné, Lapinha e Rei do Mato. Outros pontos de interesse são o Parque Estadual do Sumidouro, os locais de escavação preservados de Peter Lund, as pinturas rupestres, as ruínas da igreja de Jaguara Velha, a gruta da Faustina e a maravilhosa gruta da Lapa Vermelha. Entretanto, a exploração do Carste de Lagoa Santa nos alerta para a preservação do rico patrimônio.

 

Marcelo Albuquerque, março de 2013.

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